quarta-feira, 31 de março de 2010

Amor nos tempos da Páscoa


Eu amo chocolate. Adoro. Venero. Se aparecesse uma fada madrinha na minha frente e me concedesse qualquer desejo no mundo, eu pediria para ela retirar, com sua varinha mágica, todas as calorias de todos os chocolates - sem alterar o sabor. Nada na vida me faria mais feliz! E se pudesse - sem prejuízos para minha saúde - trocaria café-da-manhã, almoço e jantar por barras de chocolate e caixas de bombom.
Pois bem, para pessoas como eu (e eu arriscaria incluir nesse grupo ao menos 90% das mulheres na faixa dos 30. E dos 40, dos 50, dos 60, dos 70, dos 80, dos 90 e dos 1000), chocólatras assumidas, viciadas no prazer que derrete sobre a língua e é proporcionado pela mistura mágica de cacau, leite e açúcar, essa é uma época conflitante do ano. A Páscoa. Momento de uma intensa alegria e ao mesmo tempo um proporcional peso na consciência. Sim, porque essas mulheres - me incluo, obviamente - provavelmente passam o ano lutando contra a balança, fazendo exercícios em aparelhos que mais parecem ter sido criados por um torturador (falarei disso em outro post, aguardem). E aí? E aí que chega a Páscoa e uma dúvida nos dilacera: é possível se entregar aos prazeres do chocolate ou temos que, mais uma vez, controlar nossa vontade, nosso desejo por aquela textura lisinha se desfazendo lentamente no calor morninho da boca? Porque nada (eu disse NADA) na vida se compara a essa alegria. E não me venha com pizzas, cervejas, churrasco, pães e queijos. Porque para um verdadeiro chocólatra nada disso interessa. Nós, literalmente, só pensamos naquilo. Falando nisso, me deu água na boca. Acho que vou comer só um quadradinho...rs

terça-feira, 30 de março de 2010

Cerejeiras em flor




Pena que é lá no Japão, tão looonge da gente. E pena também que dura apenas duas semanas, mas as cerejeiras estão em flor. E os japoneses, sábios que são, aprenderam com esse fato uma lição: toda a beleza é efêmera e deve ser apreciada enquanto existe. Lindo, né?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Estranho conhecido


Como é possível alguém que nunca conhecemos pessoalmente ter um papel tão importante em nossas vidas? São pessoas que têm um papel em nossa formação e até, ouso dizer, no nosso caráter. Pessoas que falam o que gostaríamos de falar, expressam exatamente o que pensamos, mas não conseguimos colocar em palavras. Uma dessas pessoas marcantes na minha vida - e na de muita gente que viveu intensamente os 80's - foi Renato Russo. Essa semana ele completaria 50 anos se estivesse vivo, e voltou à minha lembrança. Penso nele com o mesmo carinho que me lembro das melhores amigas - aquelas, que a gente nem desgrudava para tomar banho (rs) - das primeiras festinhas da escola e de toda a doce loucura que vem junto com a adolescência: uma ponta de rebeldia, um toque de nostalgia da infância, um bom tanto de amor insano, doses de boa música ouvida no máximo volume... Afinal, quem mais além dele, entenderia que quando se é adolescente (e eu acredito que essa máxima vale em qualquer fase da vida, até hoje) "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã"? E quem não desejou "ao menos uma vez, provar que quem tem mais do que precisa ter quase sempre se convence que não tem o bastante e fala demais, por não ter nada a dizer"? Duvido que nunca tenha passado pela sua cabeça a frase "parece cocaína, mas é só tristeza". E uma das frases mais verdadeiras do mundo: "Sempre precisei de um pouco de atenção. Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto". Não vou nem entrar no mérito de que as composições de RR estão mais atuais do que nunca, como "Que país é esse?" e "Geração coca-cola", porque esse não é o intuito desse post. Tudo o que eu quero aqui é mostrar - não sem um perfume de nostalgia - que sem ele eu não seria a pessoa que sou hoje. E não é exagero dizer isso.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Da cólera


"População vaia advogado de Alexandre Nardoni e Ana Jatobá". "Aos gritos de 'assassinos', eles passam correndo com uma grande escolta policial". Cometeram um crime horroroso, sem dúvida, diante do qual ninguém fica impassível. Mas será justo (com perdão do trocadilho) um pré-julgamento tão cruel por parte de absolutamente TODOS, em que há verdadeiros motivos para se temer um linchamento? Qual a diferença entre matar uma pessoa e matar uma pessoa? Tema polêmico, resposta profunda. Retirada da belíssima Oração aos Moços, de Rui Barbosa. Em transcrição literal:

Dela (da cólera) esfuzilam centelhas, em que se abrasa, por vezes, o apóstolo, o sacerdote, o pai, o amigo, o orador, o magistrado. Essas faúlhas da substância divina atravessam o púlpito, a cátedra, a tribuna, o rosto, a imprensa, quando se debatem, ante o país, ou o mundo, as grandes causas humanas, as grandes causas nacionais, as grandes causas populares, as grandes causas sociais, as grandes causas da consciência religiosa. Então a palavra se eletriza, brame, lampeja, atroa, fulmina. Descargas sobre descargas rasgam o ar, incendeiam o horizonte, cruzam em raios o espaço. É a hora das responsabilidades, a hora da conta e do castigo, a hora das apóstrofes, imprecações e anátemas, quando a voz do homem reboa como o canhão, a arena dos combates da eloqüência estremece como campo de batalha, e as siderações da verdade, que estala sobre as cabeças dos culpados, revolvem o chão, coberto de vítimas e destroços incruentos, com abalos de terremoto. Ei-la aí a cólera santa! Eis a ira divina!
(...)
A parte da natureza varia ao infinito. Não há, no universo, duas coisas iguais. Muitas se parecem umas às outras. Mas todas entre si diversificam. Os ramos de uma só árvore, as folhas da mesma planta, os traços da polpa de um dedo humano, as gotas do mesmo fluido, os argueiros do mesmo pó, as raias do espectro de um só raio solar ou estelar. Tudo assim, desde os astros, no céu, até os micróbios no sangue, desde as nebulosas no espaço, até aos aljôfares do rocio na relva dos prados.
A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sorria


A frase "um sorriso abre portas" é pura verdade, na minha opinião. Experimente sorrir (não debochar, nem ser irônico e muito menos fazer pouco dos problemas dos outros), mas sorrir mesmo, com a sinceridade que transborda do coração, nas mais diversas situações. E o sorriso passa a assumir diferentes significados, mesmo que sempre positivos. Por exemplo, quando alguém lhe pede um favor, um sorriso demonstra disponibilidade. Pedir um favor sorrindo mostra que você está apto a retribuir. Chegar a uma entrevista sorrindo mostra que você é receptivo às novidades que serão reveladas ali. Sorrir um sorriso triste quando um amigo desabafa mostra que você o ama. Sorrir ao ver um filme ou escutar uma piada, por mais idiota que pareçam ambos, significa ter senso de humor. Sorrir para um desconhecido pode representar um desafio, mas que certamente será bem recompensado com outro sorriso. Sorrir para uma criança mostra a ela o valor dos pequenos momentos de felicidade. Fazer compras, escrever, falar ao telefone (sim, percebo claramente quando falo com alguém que está sorrindo, e isso me contagia) e tomar banho com um sorriso no rosto são atitudes que mostram que você está de bem com a vida. Sorrir chorando expressa uma emoção muito forte que seu corpo parece não saber demonstrar. Sorrir com a pessoa amada significa fortalecer os laços e, com eles, o amor. Mas são tantos probleminhas - e problemões - no nosso dia-a-dia que muitas vezes a gente esquece a importância do sorrir. É necessário, então, experimentar uma espécie de risoterapia caseira: alugue uma comédia boba, vá a um espetáculo de comédia stand up, procure no MSN aquele seu amigo divertido que sempre tem um vídeo ou um site engraçado para te mostrar, marque um almoço com seu irmão mais novo, alugue Sex in the City com as amigas diante de um pote de brigadeiro de colher, saia para dançar ou vá a um bar com amigos. No mínimo você sairá se sentindo muito mais leve e provavelmente passará a dar aos problemas a dimensão que eles realmente têm.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Gabriel García Marquez




Alguém no mundo tem uma poética descritiva melhor do que este homem?
"O espaço da casa é amplo e luminoso, com arcos de estuque e pisos axadrezados de mosaicos florentinos, e quatro portas envidraçadas sobre uma sacada corrida onde minha mãe sentava-se nas noites de março para cantar árias de amor com suas primas italianas. Dali se vê o parque de San Nicolás com a catedral e a estátua de Cristóvão Colombo, e mais além os armazéns do cais fluvial e o vasto horizonte do rio grande da Magdalena a vinte léguas de seu estuário. A única coisa ingrata na casa é que o sol vai mudando de janelas no transcurso do dia, e é preciso fechar todas elas para tratar de dormir a sesta na penumbra ardente. Quando fiquei sozinho, aos meus trinta e dois anos, mudei-me para a que tinha sido a alcova de meus pais, abri uma porta de passagem para a biblioteca e para viver comecei a vender o que estava sobrando, e que terminou sendo quase tudo, exceto os livros e a pianola de rolos".

quarta-feira, 17 de março de 2010

A primeira exposição a gente nunca esquece




Programando o próximo fim de semana, passeei por sites e blogs culturais e me deparei com a exposição de Andy Wahrol, que começa esse sábado na Pinacoteca, em São Paulo. Reúne 170 obras do mestre da pop art e se enquadra naquele quesito "mostras imperdíveis". E foi pensando nisso que puxei o fio da memória e cheguei à primeira exposição importante a que fui na vida. Morando em Milão já há alguns meses, fazia tempo que tentava combinar com uma amiga de ir conhecer a cidade de Lugano, na parte italiana da Suíça. Minha expectativa girava em torno de uma cidadezinha - em que a principal atração é um lago e um centro histórico super charmoso - e chocolates, muitos chocolates. Tanto que, assim que descemos do trem, o primeiro passeio foi a orla desse tal lago e o segundo foi nosso almoço. Chocolate. Sim, sou do tipo de pessoa que poderia trocar café-da-manhã, almoço, jantar e ceia por chocolate se, por um acaso do destino, uma fada bondosa retirasse com sua varinha de condão todas as calorias... voltando à vida real. Chocolate de almoço e sobremesa naquele dia em um já distante 2003 me fizeram ver a vida mais doce. E perceber, ao passar diante de uma galeria, a placa "Mostra Speciale: Egon Schiele". Eu e minha amiga entramos e ela, europeia, adorou a exposição. Eu? Eu fiquei perdidamente apaixonada! Os quadros desse jovem que morreu tuberculoso e é autor de obras-primas que retratam como ninguém o sofrimento e a sexualidade, como a pintura que ilustra esse post, me deixaram sem fôlego, sem paz, sem sentir as batidas do meu próprio coração. E essa foi apenas a primeira de outras mostras importantes que tive a oportunidade de (vi)ver: Modigliani, obras da Galleria degli Uffizi, algumas do Louvre, Matisse na Pinacoteca, acervo do MASP, Jesús Sotto, acervo do Museu Calouste Gulbekian em Lisboa e do Museu Picasso em Barcelona e a mostra do Chagall no MASP, entre outras, também me fizeram sonhar. A exposição dos trajes de ópera de Lacroix na FAAP foi puro delírio e não encontro palavras para descrever o que senti ao visitar o Museu da Moda de Paris, além do Museu da Moda de Florença. Mas nada se compara à sensação inesquecível que tive ao entrar na primeira exposição importante da minha vida. Talvez porque no fundo eu soubesse que ainda teria muita "emoção artística" pela frente. E essa mostra especial era apenas um prenúncio disso.

terça-feira, 16 de março de 2010

Cachorros: ter ou não ter?




Pois é. Entre os grandes dilemas de uma mulher de (quase) 30 certamente se encontra a dúvida: ter ou não um cãozinho? Como boa libriana, vou medindo todas as vantagens e desvantagens que podem acarretar dessa decisão nem um pouco simples. As vantagens estão na cara: ter uma companhia que mais parece uma bolota de pelos e um bichinho para te receber em casa, fazer festinha, receber carinho etc. etc. etc. Mas as desvantagens... vai deixar o bichinho sozinho em casa - ou, pior, no apartamento - o dia todo? Ele vai ficar estressado. E como fazer quando for viajar? Com quem deixar o cãozinho? E os gastos? São tantos: veterinário, banho, comida, hotel para cães no caso de os donos viajarem... Meu marido brinca que ando substituindo a vontade de ter filhos pela ideia fixa de ter um cão. Meu tio disse que, nesse caso, ficaria com os filhos...rs... segundo ele dão menos trabalho. Enquanto não tomo essa decisão cruel, fico mesmo é namorando todos os cães pequenos e peludos (caso do Shi Tzu, na foto acima) ou então orelhudos (como o cocker, que adoro) que passeiam alegremente todas as manhãs pelas ruas do meu bairro. Ou então solto um suspiro diante da vitrine de um Pet Shop. Ter ou não ter um cãozinho? Eis a questão...

quinta-feira, 11 de março de 2010

A dor e a delícia de ser jornalista




Lembro como se fosse hoje minha primeira entrevista para um emprego. Ao menos para um emprego como jornalista. Faltava um mês para minha formatura e eu estava vivendo aquela mistura de ansiedade e apreensão que acomete todos os formandos. Foi quando soube da oportunidade: seria um site para adolescentes em um portal de informações da cidade onde morava e a seleção seria a melhor possível para alguém sem a mínima experiência na área, como eu: bastava sugerir uma pauta pertinente, correr atrás e fechar no mesmo dia. Arrisquei e resolvi falar de moda, minha grande paixão. A princípio não teria dado certo, mas meses depois fui chamada e o resultado foi melhor do que eu esperara: uma equipe jovem, meu melhor amigo na cadeira ao lado e muita vontade de trabalhar naquilo que eu mais gostava (e ainda gosto, claro) na vida: comunicação. Lembro em detalhes de nessa entrevista terem nos oferecido café e cigarro, mas nenhum de nós fumava e só eu aceitei o café. Nossos futuros chefes ainda brincaram: "não se fazem mais jornalistas como antigamente. Vocês não fumam e só uma pessoa toma café!" Claro que isso era um indicativo do clima delicioso que encontraríamos diariamente naquele trabalho ali por diante. Mas sempre me fez pensar: será verdade? Será que não existem mesmo jornalistas como antigamente? Está certo que nós, jornalistas, temos uma tendência forte ao saudosismo e à nostalgia. Reza a lenda (da qual discordo) que todo jornalista sonha em cobrir uma guerra mundial. Jornalista que se preze já leu tudo o que esteve a seu alcance sobre 1968 e a ditadura no Brasil. Parece um tempo mais bonito, de ideais imbatíveis, ideologias profundamente justificadas e compreendidas. Mas nostalgias à parte, eu acho que, sim, ainda se fazem jornalistas como antigamente Não que a gente precise de máquina de escrever, fax ou linotipo para imprimir os jornais atualmente. Mas com tanta contrariedade que aparece em nosso dia-a-dia - do trânsito que enfrentamos para ir de uma entrevista para a outra, ao orçamento curto e o salário mais ainda, passando pela longa espera que encaramos para sermos recebidos pelo entrevistado, até não ter hora para ir embora da redação - se a gente continua apaixonado pelo que faz, é porque jornalismo é mesmo coisa para quem não tem medo de se entregar à enorme aventura que é conhecer pessoas novas todos os dias, lugares diferentes a cada semana e suspirar diante da beleza das palavras sobre o papel - as nossas ou as de outras pessoas, que fique claro. Porque se tem uma atividade que a gente gosta na mesma medida que falar e escrever, essa atividade é ler.
Ah, um toque de humor para encerrar esse post cheio de amor. Sei que o papel do jornalista é perguntar, mas a pergunta que mais gosto de responder é: Qual é a sua profissão? Nessa hora parece que a palavra salta da minha boca orgulhosa e voa por todo o ambiente: Jornalista.

terça-feira, 9 de março de 2010

Moda que incomoda




Minha mãe adora usar essa frase em um sentido irônico, sobretudo quando olhamos fotografias de festas antigas (as dos anos 1970 e 1980 são as melhores) e as it-girls do momento usavam mangas bufantes, vestidos de cetim azul-bebê, cabelos presos com a franja fofa ou topetes esculturais. E os homens usavam boca-de-sino. Mas essa frase que minha mãe usa brincando ("ah, como a moda incomoda") é levada muito a sério por algumas pessoas e elas realmente acham que o único papel da moda é incomodar. Ou pior, algumas acham até que a moda não tem nenhum papel. Ultrapassaaaaado. Artistas como esse da foto acima, Karl Lagerfeld, criam obras de arte que nem sempre estão em museus (e às vezes estão, inclusive), mas que pelo processo criativo, de pesquisa, de inspiração e de trabalho manual (corte, aplicações, bordados, detalhes, finalizações, forros, acabamentos etc etc etc) são, sim, verdadeiras obras de arte. E nessa semana de moda de Paris exemplos não faltam. Basta ficar atento e perceber que nem tudo o que está nas passarelas deve ser usado. Muito do que está lá pode -e deve- ser tão somente admirado. Duvida? Visite sites como www.vogue.fr e confira. Deixe seu senso prático e maniqueísta de lado e se permita apreciar e sonhar. Simplesmente.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sinais




"O problema das mulheres é que elas acham que tudo é um sinal", me disse na semana passada um amigo. "Se eu abro a porta do carro, é porque sou um cavalheiro. Se quero só ver filminho com pipoca, é porque estou apaixonado. Se conheço os amigos, é porque minhas intenções são sérias. Se digo que ela é especial, é porque quero me casar", continuou. "Pô, isso enche o saco. Não são sinais. Eu só fiquei com vontade de abrir a porta do carro, estava a fim de ver um filme com ela ou curioso para conhecer os amigos! Aí, na tentativa de não passar a mensagem errada, eu acabo me podando e deixando de fazer coisas bacanas com a garota com medo que no minuto seguinte surja um 'eu te amo' ou que ela sinta 'esperanças' de que vamos ficar juntos pra sempre", concluiu. Verdade. Uma ÓTIMA lição para nós, mulheres. Parem de tentar enxergar sinais onde eles não existem. Curtam o momento sem se preocupar com o amanhã, sem pirar na onda "esse é diferente, ele é sério, romântico, com ele vai ser pra sempre". Desencanem, mulheres! Tentem curtir o momento. E se ele for bacana e, melhor ainda, se se repetir, vocês já saíram ganhando. Deixem os coitados dos garotos retomarem sua espontaneidade sem se preocupar com as expectativas que VOCÊS estão criando. E curtam bem, beijem na boca, saiam pra dançar, compartilhem com as amigas as conquistas do relacionamento. Mas tenham certeza de que esse relacionamento - de fato - existe. Ah, e acenda um alerta se ele não ligou no dia seguinte, não correu atrás, foge de conhecer sua família e seus amigos, vem com aquele papo idiota que sofre variações entre "to-saindo-de-um-relacionamento-sério-e-não-quero-compromisso", "to deprimido e não quero te trazer problemas", "meu casamento/namoro já está acabado, só não terminei porque tenho pena" e "eu não sirvo pra você, pois não sei o que quero da minha vida". Isso sim é um sinal. De que você deve cair fora correndo.
Post levemente influenciado por conversas com amigos e amigas e pelos filmes "Verdade nua e crua" e "Ele não está tão a fim de você", que recomendo fortemente a todas as mulheres.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Digressões sobre o "bom dia"


Onde ele foi parar? Certamente numa terra distante. Provavelmente no mesmo lugar em que habitam todos os guarda-chuvas, isqueiros e canetas Bic perdidos. O bom e velho "bom dia" é artigo raro. Não se escuta mais. Parece que dói dizer. Mesmo que para um vizinho de apartamento, um colega de trabalho, um chefe, um porteiro, as pessoas que limpam nosso ambiente de trabalho. Se alguém souber onde o bom dia foi parar, por favor me avise.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Eu não quero ser igual


Não quero. Simplesmente não quero ser igual a um homem. Lendo hoje pela manhã um artigo sobre o que ainda falta para as mulheres serem iguais aos homens (uma melhor divisão da tal da dupla jornada, salários iguais etc etc etc) comecei a pensar a respeito. O artigo veio completar uma conversa que eu e marido tivemos ontem com um amigo. Ele comentou - sabiamente, diga-se de passagem - que toda vez que vai dar toques profissionais ou fazer críticas ao trabalho de suas funcionárias precisa começar dizendo: abstrai. Não leve para o lado pessoal. Não fique chateada com o que vou falar aqui etc etc etc. Porque senão elas choram. Ou pelo menos ficam magoadas. E me dei conta que é verdade. Lidar com críticas não é fácil para ninguém, mas para as mulheres é mais difícil. Talvez por que a gente se cobre demais, tenha que dar conta de muitas responsabilidades, mesmo em meio à montanha-russa de hormônios (e sentimentos) que nos assola mensalmente. Talvez porque não admitimos errar - e digo por experiência própria. É um defeito, claro, mas somos assim por natureza. E era nesse ponto que eu queria chegar. Natureza. Somos diferentes dos homens e é aí que está a graça. Nós temos TPM. Nós costumamos desabafar chorando. E sempre me pergunto por que raios é considerado anti-profissional chorar quando você tem algum problema! É a vontade que temos, ora bolas! Mas, não. É preciso reprimir. É preciso não se sentir triste/magoada/ofendida se lhe dizem algo que de fato lhe entristece/magoa/chateia. Ao mesmo tempo, nós (tá bom, vai, a maioria de nós) costumamos ser mais organizadas. Agora, me responda: você já viu algum homem ser criticado por ser desorganizado? Ser recriminado ou demitido por isso? Não! Esse é um defeito que eles naturalmente costumam ter, mas isso não faz deles menos profissionais. Assim como chorar não deveria nos diminuir. E prosseguimos lá, engolindo os sapos e o choro, para solta-lo apenas quando chegamos em casa. Aqui está o cerne da questão? eu não sou um homem. Sou mulher. Tudo o que desejo é ser respeitada por isso. E não ser tratada como um homem! E estou falando profissionalmente para nem entrar no mérito de igualdade sexual, igualdade afetiva, igualdade de atitudes. Sim, sou mulher, sim, sexo para mim só com amor. Sim, faz parte de meus planos ser mãe - adoro pegar um bebê no colo e sabe que levo jeito pra isso?, sem medo de ser feliz - e não serei completamente realizada enquanto isso não acontecer. Sim, eu sento com as pernas cruzadas, uso saia, adoro flores no cabelo, vario o brinco todos os dias e de-tes-to usar terninho. Fica aqui meu protesto: eu simplesmente não quero ser tratada como homem e muito menos ter igualdade de condições com eles. Pronto, falei!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Em busca da sopa perfeita


Por que será que no frio a gente só consegue pensar em comer? Sopinha, massa, molhos, carne, chocolate...hum... só em comer, não, vai. A gente também pensa em beber. Café, cappuccino, chocolate quente, chá, vinho... Um dia mais friozinho e pronto, retorna minha busca pela sopa perfeita. Cenoura, folhas de rabanete, mandioquinha, abóbora, tomate? Quanta indecisão! rs E se a gente puder sorver o líquido bem quentinho ao lado de uma companhia deliciosa, aí sim o coração fica aquecido. É, acho que vou pra casa. Post curtinho hoje. Ah, a tempo: por enquanto a preferida permanece de abóbora com gengibre ;-)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Veteranos do bem


Foca, para quem não sabe, é como é chamado o jornalista novato, inexperiente. O calouro. Aquela pessoa inocente, ingênua, que acredita em tudo o que lhe dizem e que acha tudo lindo, diferente, inacessível e extremamente difícil. Aquela pessoa que se sente muito importante ao pisar pela primeira vez na sala de aula de uma faculdade, com os olhos brilhando da alegria de ter passado no terrível vestibular. É claro que comigo não foi diferente. O corrimão amarelo daquelas escadas de uma certa universidade pública (ai, que orgulho! pú-bli-ca!) levava a uma sala de azulejos amarelos, professores completamente desconhecidos e colegas tão assustados com toda a novidade quanto eu. Adeus apostilas, aulas com horário certo, tudo regrado. O admirável mundo da universidade mostra que você realmente é adulto, superou muitos desafios e ainda tem tantos outros por superar. E é claro que esse mundo é assustador. Você precisa se habituar e entrosar com as pessoas e quem melhor para fazer esse papel da acolhida e do entrosamento do que os veteranos? Ninguém. É para isso que existe o trote. O meu foi extremamente inteligente: dividido entre um churrasco em que a gente precisou dançar sobre a mesa, uma gincana de perguntas e respostas sobre a faculdade, a arrecadação de alimentos e de pessoas dispostas a doar sangue, e, por fim, a elaboração de um telejornal de brincadeira. E me rendeu ótimos frutos, entenda-se, ótimas amizades, que trago até hoje. Foi um trote inteligente, do bem, que certamente colaborou com a minha formação e com minha forma de lidar com as pessoas. Parece piegas, mas posso dizer que foi mesmo uma lição de vida.
Impossível não pensar nisso ao ver os trotes violentos que acontecem hoje em dia. Veteranos, acordem! Vocês também ralaram para chegar na faculdade e sabem como é difícil chegar à "Academia". Respeitem seus iguais e que, no futuro, além de colegas de profissão, podem ser seus amigos para a vida toda.