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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

É hoje!

É, não teve jeito. Ainda não inventaram a tão sonhada (por mim) máquina que pára o tempo, e o fatídico dia chegou. Cheguei aos trinta e não tem volta. Agora, é mudar o cabeçalho do site (de "uma mulher contemporânea beirando os 30" para "uma mulher contemporânea de 30 e poucos") e rumar aos 40...rs. Esse meu aniversário, não só pela idade redondinha, já começou diferente: dentro de um avião. Tem maneira melhor? O tão temido "parabéns pra você, nessa data querida..." e o assustador momento de soprar as velinhas já ocorreram de manhã, de uma forma muito delicada e doce, graças ao marido, que decorou o apê com bexigas cor-de-rosa e arrumou a mesa com todas as minhas comidinhas de café-da-manhã preferidas. É, tá bom, não doeu tanto como eu imaginava. Acho que o drama e toda aquela crise que pensei que enfrentaria podem esperar os 40 ;-)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Da indecisão e outros demônios


Já comentei aqui sobre a principal característica da minha natureza libriana: a necessidade e a busca incessante pela paz, pela ausência de conflito, pela não-crise. Mas confesso que naquele post omiti outra característica predominante nesse signo: a indecisão. (embora acredite que cada vez mais esse mal acometa todas as mulheres que trabalham, precisam estar belas, bem informadas, querem casar e ter filhos. Todas passamos diversos dilemas ao longo do dia. Isso não é “privilégio” das librianas, eu sei).Para mim, é realmente difícil escolher entre um sorvete de chocolate e um de morango, uma pizza margherita e uma de rúcula com tomate seco, um sapato pink ou um azul, um vestido ou o look jeans+camiseta. Se fosse só isso, tudo bem. O problema é entre escolher “aquele emprego” em outra cidade ou a vida confortável de sempre, mas longe do seu sonho profissional. Decidir entre ter um filho ou comprar um cachorro, optar por ficar em casa descansando ao invés de ir pra balada são outras tormentas pelas quais uma pessoa indecisa como eu precisa passar diariamente. Esse meu probleminha de indecisão crônica faz com que eu vivencie diálogos no mínimo atípicos no meu quotidiano.

(marido) – Amor, vamos primeiro levar o cachorro pra tomar banho ou antes o levamos para passear no parque?

(eu) – Hummm... Se a gente levá-lo tomar banho antes, vai se sujar. Se a gente levar passear primeiro, pode ser que o Pet Shop feche... ai, não sei.
(marido) – Ta. E amanhã? Vamos ao shopping ou ficamos em casa vendo dvd?
(eu) – Aaaaiiii.

Ou então:
(mãe) – Filha, o que você quer comer no almoço?
(eu) – Hummm...
(mãe) – Massa ou carne? Quem sabe um peixe?
(eu) – Aaaaiiii.
(mãe) – Minha filha, a gente não pode ter tudo nessa vida. Eu já cansei de te falar.

Ou ainda:

(amiga) – Pri, a gente se encontra no almoço ou no jantar?
(eu) – Hummm...
(amiga) – A gente pode tomar um café de tarde também...
(eu) – Aaaaaiiiii.

Em resumo, entendo que conviver comigo e com minhas indecisões não seja fácil, afinal, convenhamos, não estamos tratando de assuntos “de vida ou morte”, e mesmo assim eu tenho dificuldades em fazer opções. A questão é que não quero abrir mão de nada, quero aproveitar tudo, viver intensamente, sem deixar de lado possibilidades de viver momentos diferentes. Escolher o sorvete de chocolate significa abdicar da delícia fresca e azedinha do de morango. Ir ao shopping, para mim, é abrir mão do conforto de ficar em casa vendo um filme. E vice-versa. Entende? Não? Ah, deixa pra lá...
Só para concluir, lembrei de um médico amigo da família que me disse certa vez: “Priscilla, você já mediu suas pernas? E já mediu o mundo? Então, suas pernas não dão a volta no mundo. Você não consegue abraçar o mundo com as pernas. Em resumo, minha cara, você precisa escolher!”

Aaaaaaaiiiiii...

Trilha sonora para esse post: Should I stay or should I go?
Obra literária para esse post: Hamlet, de Shakespeare

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Feliz dia das crianças!


Seria hipocrisia eu dizer que era feliz e não sabia. Eu sabia bem! E ainda por cima, continuo feliz ;-)
Foto do começo dos anos 1980, melhor nem lembrar a data exata... A gente tinha acabado de passar pelo escorregador da piscina da casa de praia, provavelmente gritando a plenos pulmões a palavra Gerônimooooooooooo (não me pergunte porquê). Ou então tinha acabado de cantar algumas músicas com a companhia do violão do vovô ou do meu pai (aquele magrelo de cabelos pretos, ali atrás, que hoje nem é mais magrelo e nem tem mais cabelos pretos...hehehe). Quem sabe a gente tinha acabado de se entupir dos chocolates da vovó, honestamente roubados do armário secreto da cozinha, aquele que toda a avó tem. Talvez também a gente tenha saído dessa piscina em direção às redes da sacada da frente, onde nossos pais embalavam "bem forte" pra gente sentir a delícia de "voar".
Ao invés de ficar me queixando que a vida não é mais assim, fui é pra praia, cantar acompanhando o violão do meu pai e do meu irmão, pedir pratos especiais pra minha mãe e pra vovó, apertar a mão do vovô, e imaginar ao lado do meu marido se nossos filhos terão uma infância tão feliz. Que delícia de dia das crianças!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ela realmente é muito elegante

Carolina Herrera. Cabelos loiros, perfeitamente cortados. Pele perfeitamente cuidada e maquiada. Brincos arrebatadores, de pérola barroca. Sim, ela é chique. Sim, tem um belo sorriso e sim, é humana. Carolina Herrera, como toda mulher, é doida por sapatos e consumidora voraz deles. Adora cores, mas tem suas fases de branco. Também acha que preto é moda. Mas é claro que com tanta elegância, Carolina Herrera parece viver em um mundo a parte. Um mundo em que as mulheres não transpiram, não pegam ônibus e não têm chefe. Carolina tem quatro filhas mulheres e uma grife de vestidos para noivas. Fez vestidos para três de suas filhas, mas pergunto se ela os criou e ela me responde: não, de jeito nenhum. Elas me direcionaram. Minhas filhas sempre souberam o que queriam vestir. E sorri.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Me dá minha comidinha?

No meio do estresse de um dia de trabalho pesado, recebo do marido a seguinte foto:
Como não sorrir diante desse fofo pedindo comida com o potinho na boca?

mais uma vez Chanel


As outras cidades que me perdoem, mas Paris é fundamental.
As outras grifes que me desculpem, mas Chanel é tudo.
E no desfile dessa Paris Fashion Week der Kaiser, também conhecido como Karl Lagerfeld, mostrou não temer as flores. Lindo de viver!


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sobre chuva e brigadeiros




O que poderia salvar uma noite chuvosa – entenda falo em uma chuva que você não salva cabelos e pés de saírem encharcados apenas ao atravessar a rua – de segunda-feira? Nada, você deve estar pensando. Brigadeiros, respondo eu. Aliás, reformulando a resposta: 12 brigadeiros. É, foi essa a quantidade de docinhos que devorei diante dos olhos surpresos da minha amiga Natália, com os cabelos pingando e aquela risada que só ela sabe dar quando as coisas parecem ter ido para o buraco. Mas é verdade. Os brigadeiros, que foram meu jantar, obviamente, salvaram minha noite, meu dia seguinte, minha semana. Marido nunca me viu chegar tão feliz em casa, nunca malhei com tanta vontade na manhã de terça-feira, enfim, acho que nunca comera um brigadeiro tão gostoso na vida. A responsável? Juliana Motter, uma jornalista que apostou nesse lado doceiro e, ao que tudo indica escolheu bem. Sua lojinha é uma delicadeza, com as paredes em tons pastéis e um espaço bem pequenininho e aconchegante para acolher poucas pessoas. À diversão de degustar suas delícias (e são muitas, dos clássicos preto e branco, ao de limão siciliano, o novíssimo de caramelo e meu preferido, o amargo), some-se a de assistir sua preparação e admirar suas embalagens pra lá de criativas. Juliana conversou com Só porque eu gosto e você vai conhecer um pouco mais dessa doce profissional.  
Juliana Motter

Como tudo começou?
Quase que por acaso. Sempre fui apaixonada por brigadeiro e desde bem pequena costumava inventar novas versões do doce. Como era incomum ver brigadeiros de outros sabores que não fosse o de chocolate tradicional, meus brigadeiros costumavam fazer sucesso e sempre apareciam encomendas, que eu recusava por não associar o hobby de fazer brigadeiro com o  trabalho de fazer brigadeiro. E não é que numa dessas festas, na brincadeira, acabei aceitando uma encomenda de mil brigadeiros? Fiz os doces e no dia seguinte meu telefone não parou de tocar. Três meses depois já não dava mais conta de tantas encomemendas e pedi demissão – era editora de comportamento de uma revista feminina.
Lembra quando comeu o primeiro brigadeiro da sua vida? E quando fez? Quantos anos tinha? Onde foi? Quanto mais detalhes tiver melhor.
Aprendi a receita com a minha avó, doceira, aos 6 anos e não parei  mais de fazer. Minha alegria era chegar nos aniversários com uma bandeja cheia dos meus brigadeiros decorada com um belo laço. O hábito, curioso para uma criança tão pequena, logo me rendeu um apelido: Maria Brigadeiro. Naquela época minhas receitas já eram bem diferentes das versões convencionais: nunca usei granulado comum – minha avó me ensinou que as raspas de chocolate ao leite eram muito mais saborosas. Também  gostava de misturar vários ingredientes ao leite condensado: chocolate branco, ovomaltine, cookies de chocolate… Com o tempo, uma graduação de gastronomia e alguns cursos de pâtisserie depois, meu caderno de receitas passou a ter 35 versões diferentes de brigadeiro, que  ao longo da minha vida fiz para comer (claro!) e também dar de presente.
Atualmente, quantos  sabores são oferecidos pela Maria Brigadeiro?
São 40 sabores.
Como criou as embalagens?
Todas as embalgens têm a ver com a minha história com brigadeiro e algumas surgiram muito antes da loja. A marmita de metal com brigadeiros, por exemplo, que é um hit da Maria Brigadeiro, surgiu por falta de bandeja. Explico: como contei, eu sempre levava uma bandeja de brigadeiros de presente para os amigos que faziam aniversário, e na festa de um deles, me dei conta de que todas as bandejas da minha coleção pessoal eram muito femininas. Olhei em volta em busca de uma solução e me deparei com uma marmita que eu usava para guardar temperos. Tirei os condimentos, coloquei os brigadeiros e amarrei um pano de prato. Quando abri o ateliê, esta foi a segunda embalagem mais vendida – a primeira, não por acaso, foi a bandeja.
A caixa TPM (uma embalagem de remédio com 8 brigadeiros sortidos) também é uma idéia  antiga. Minhas amigas e eu costumávamos mandar chocolates umas para as outras na TPM. Era uma forma bem-humorada de avisar que a pessoa estava “chatinha” e driblar o mau-humor do período.
Quais são os novos sabores em desenvolvimento?
Temos quatro sabores recém-saídos da panela, são eles: doce de leite com nozes, tradicional (ao leite) com caramelo, semente de cacau (que é feito com a amêndoa do cacau triturada) e o pistache de Bronte, cultivado na Sicília, considerado o melhor  pistache do mundo.
Quais são seus projetos para o futuro?
Comer muitos brigadeiros. (risos)

As fofas embalagens