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segunda-feira, 8 de março de 2010

Sinais




"O problema das mulheres é que elas acham que tudo é um sinal", me disse na semana passada um amigo. "Se eu abro a porta do carro, é porque sou um cavalheiro. Se quero só ver filminho com pipoca, é porque estou apaixonado. Se conheço os amigos, é porque minhas intenções são sérias. Se digo que ela é especial, é porque quero me casar", continuou. "Pô, isso enche o saco. Não são sinais. Eu só fiquei com vontade de abrir a porta do carro, estava a fim de ver um filme com ela ou curioso para conhecer os amigos! Aí, na tentativa de não passar a mensagem errada, eu acabo me podando e deixando de fazer coisas bacanas com a garota com medo que no minuto seguinte surja um 'eu te amo' ou que ela sinta 'esperanças' de que vamos ficar juntos pra sempre", concluiu. Verdade. Uma ÓTIMA lição para nós, mulheres. Parem de tentar enxergar sinais onde eles não existem. Curtam o momento sem se preocupar com o amanhã, sem pirar na onda "esse é diferente, ele é sério, romântico, com ele vai ser pra sempre". Desencanem, mulheres! Tentem curtir o momento. E se ele for bacana e, melhor ainda, se se repetir, vocês já saíram ganhando. Deixem os coitados dos garotos retomarem sua espontaneidade sem se preocupar com as expectativas que VOCÊS estão criando. E curtam bem, beijem na boca, saiam pra dançar, compartilhem com as amigas as conquistas do relacionamento. Mas tenham certeza de que esse relacionamento - de fato - existe. Ah, e acenda um alerta se ele não ligou no dia seguinte, não correu atrás, foge de conhecer sua família e seus amigos, vem com aquele papo idiota que sofre variações entre "to-saindo-de-um-relacionamento-sério-e-não-quero-compromisso", "to deprimido e não quero te trazer problemas", "meu casamento/namoro já está acabado, só não terminei porque tenho pena" e "eu não sirvo pra você, pois não sei o que quero da minha vida". Isso sim é um sinal. De que você deve cair fora correndo.
Post levemente influenciado por conversas com amigos e amigas e pelos filmes "Verdade nua e crua" e "Ele não está tão a fim de você", que recomendo fortemente a todas as mulheres.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Eu não quero ser igual


Não quero. Simplesmente não quero ser igual a um homem. Lendo hoje pela manhã um artigo sobre o que ainda falta para as mulheres serem iguais aos homens (uma melhor divisão da tal da dupla jornada, salários iguais etc etc etc) comecei a pensar a respeito. O artigo veio completar uma conversa que eu e marido tivemos ontem com um amigo. Ele comentou - sabiamente, diga-se de passagem - que toda vez que vai dar toques profissionais ou fazer críticas ao trabalho de suas funcionárias precisa começar dizendo: abstrai. Não leve para o lado pessoal. Não fique chateada com o que vou falar aqui etc etc etc. Porque senão elas choram. Ou pelo menos ficam magoadas. E me dei conta que é verdade. Lidar com críticas não é fácil para ninguém, mas para as mulheres é mais difícil. Talvez por que a gente se cobre demais, tenha que dar conta de muitas responsabilidades, mesmo em meio à montanha-russa de hormônios (e sentimentos) que nos assola mensalmente. Talvez porque não admitimos errar - e digo por experiência própria. É um defeito, claro, mas somos assim por natureza. E era nesse ponto que eu queria chegar. Natureza. Somos diferentes dos homens e é aí que está a graça. Nós temos TPM. Nós costumamos desabafar chorando. E sempre me pergunto por que raios é considerado anti-profissional chorar quando você tem algum problema! É a vontade que temos, ora bolas! Mas, não. É preciso reprimir. É preciso não se sentir triste/magoada/ofendida se lhe dizem algo que de fato lhe entristece/magoa/chateia. Ao mesmo tempo, nós (tá bom, vai, a maioria de nós) costumamos ser mais organizadas. Agora, me responda: você já viu algum homem ser criticado por ser desorganizado? Ser recriminado ou demitido por isso? Não! Esse é um defeito que eles naturalmente costumam ter, mas isso não faz deles menos profissionais. Assim como chorar não deveria nos diminuir. E prosseguimos lá, engolindo os sapos e o choro, para solta-lo apenas quando chegamos em casa. Aqui está o cerne da questão? eu não sou um homem. Sou mulher. Tudo o que desejo é ser respeitada por isso. E não ser tratada como um homem! E estou falando profissionalmente para nem entrar no mérito de igualdade sexual, igualdade afetiva, igualdade de atitudes. Sim, sou mulher, sim, sexo para mim só com amor. Sim, faz parte de meus planos ser mãe - adoro pegar um bebê no colo e sabe que levo jeito pra isso?, sem medo de ser feliz - e não serei completamente realizada enquanto isso não acontecer. Sim, eu sento com as pernas cruzadas, uso saia, adoro flores no cabelo, vario o brinco todos os dias e de-tes-to usar terninho. Fica aqui meu protesto: eu simplesmente não quero ser tratada como homem e muito menos ter igualdade de condições com eles. Pronto, falei!