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terça-feira, 3 de agosto de 2010

E a família aumentou...


Quem lembra de quando falei da dúvida entre comprar ou não um cachorro?
Pois é, cerca de um ano depois de ter me apaixonado perdidamente por um filhote de Shi-Tzu, eis que eu e marido decidimos! E compramos um hoje de manhã, não o mesmo, é claro. Ele é lindo, como vocês podem ver na foto (de péssima qualidade eu sei, tremida e feita com o celular, mas quebra um galho...hehehe). Tem 45 dias, já tem um nome, Bolota, e será o terceiro membro da família. Uma espécie de estágio para termos filhos, eu costumo brincar. A verdade é que nunca tive um cão. Isso não me causa nenhuma espécie de trauma de infância, fiquem tranquilos. Minha mãe nunca gostou, sempre teve medo, alergia e vivia apontando uma série de razões para não querer um ser peludo que faz bagunça pela casa. Eu, confesso, nunca tive um amor descontrolado por bichos como algumas pessoas que conheço, mas de uns tempos para cá ando sentindo um apego fora do comum por essas criaturinhas fofas. E a verdade é que se a gente pensa muito (ele vai deixar a casa cheirando? E minha alergia? E toda a grana que precisa ser investida? E o que farei quando viajar? Será que ele vive bem em apartamento? Se acostuma a ficar sozinho durante o dia? Será? Será? Será?), acaba nunca realizando. Não digo que o mínimo de planejamento não seja necessário, é claro. Aliás, sou a maior defensora de planos e planejamentos. O que estou dizendo é que a vida é muito curta pra gente perder tanto tempo pensando em todas as causas e consequencias de todos os nossos atos. E quando a gente decide ter (um filho, um cão, um apartamento, um marido), se tem esse mínimo de planejamento, acaba "dando um jeito", no bom sentido, e as coisas entram nos eixos. E olha que não pesar toooooodos os prós e contras nos míííííínimos detalhes, é quase missão impossível para uma libriana. Mas estou me esforçando e o Bolota será meu primeiro desafio. Está decidido, ele é nosso e segunda-feira estará fazendo muita bagunça em nossa casinha. E como diz minha mãe: não posso mandar em você, né, minha filha? Tomara que você não tenha alergia. Mas ele é lindo!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Palavras, apenas. Mas que palavras!


Se existe algo no mundo que me toca profundamente, esse algo é um texto bem escrito. Não tem perfume, sabor, música ou textura que me emocione tanto quanto um texto bem pensado, ricamente elaborado, finamente descrito, divinamente produzido, poeticamente construído... Se for escrito a mão, então, melhor ainda, mas isso já é artigo bem mais raro. De qualquer forma, essa semana, lendo a revista Vogue francesa do mês de abril, meus olhos pararam, brilharam e se emocionaram quando cheguei a esse texto, de Patrick Mauriès: (OBS: Vou reproduzir um trecho dele com MINHA livre e espontânea tradução)
"No exato instante em que escolhe desaparecer, a lenda de Alexander McQueen [lembram? falei dele alguns posts abaixo] toma corpo. E não perdemos nada se apostarmos que ela irá se expandir ainda mais. Pois nossas culturas, que só fogem da realidade da morte para melhor admirar sua imagem, não amam nada com a mesma intensidade que amam esses destinos partidos e as vidas interrompidas na flor da idade, da qual só resta a face de uma eterna juventude. E em matéria de lenda, existem muitas em Alexander McQueen: na história desse menino de 3 anos que desenha o vestido da Cinderela no gesso das paredes de seu quarto, nessa figura de mãe radiosa que nunca lhe deixa, nesse percurso fulgurante de imóveis no East End ao bairro chic de Mayfair e a um solário no Sussex, nesse encontro providencial com uma musa inquieta que terminará tragicamente [para quem nao sabe, McQueen se suicidou uma semana após a morte da mãe e três anos após o suicídio de sua fada madrinha, a stylist Isabella Blow], na intransigência raivosa de um criação que vem, no entanto, coroar o sucesso e que pontua um abrupto impasse".
Ainda ao falar da mãe de McQueen de uma forma muito sensível, Patrick termina o texto assim:
"Ela assiste, radiante, na primeira fila, todos os seus desfiles. Ela lhe faz até mesmo confessar, em um pungente diálogo publicado pelo The Guardian, que ele só teme uma coisa: morrer antes dela. Ela falece dia 2 de fevereiro de 2010. Ele escolhe partir um dia antes dos funerais daquela que sempre quis lhe dar tudo".
Lindo, lindo, né?
Não deixa de ser um post em homenagem ao dia das mães ;-)
PS: e por falar em escrita, esse texto prova que por mais que uma notícia já tenha sido divulgada, ela pode ser retrabalhada e trazer algo (nem que seja admiração por quem escreveu essas belas linhas)

terça-feira, 13 de abril de 2010

liberdade condicional


É assim que eu me sinto por ser mulher. Numa espécie de liberdade condicional. Depois da queima de sutiãs, das mulheres ganhando o mercado de trabalho e da maravilha do acesso à pílula anticoncepcional, ainda me pergunto: que liberdade é essa? Esses dias, assistindo ao programa Saia Justa, no GNT, vi que o tema era esse: afinal, as mulheres são mesmo livres? Como seria o novo femininismo? Sim, pq essa fórmula que está por aí, por favor, ne? Já foi seu tempo. Feministas bradando aos quatro cantos que buscam direitos iguais e podem, muito bem, ser felizes sozinhas, já eram. Ao menos no meu ponto de vista. Mas não é nem esse meu foco, o feminismo dos dias de hoje. Não. Minha questão é: será mesmo que somos livres? Retomando a pergunta feita acima, eu me arrisco a dizer: NÃO! Não somos livres para re-al-men-te escolher. Temos liberdade sexual, sim, mas se alguma garota resolve se manter virgem até quando bem entender, é criticada, vira alvo de piadas, é cobrada no grupo de amigas. Podemos fazer botox, plástica, lipo, mas e se a gente quiser envelhecer e sair desse mundo plasticamente padronizado, pombas? Temos forte inserção no mercado de trabalho, sim, em profissões nunca antes sonhadas, mas com salários mais baixos. E vou muito além disso: temos a liberdade de poder trabalhar em qualquer área, mas não temos a liberdade de trabalhar em casa. Podemos ter babás, diaristas, berçários, e ser completamente independentes. Mas nos é negado o direito de ter filhos e poder cuidar deles de perto. Temos obrigatoriamente que nos dividir entre trabalho, casa e filhos. Não sem uma grande dose de sofrimento. Analise bem: mesmo em profissões em que a presença física no ambiente de trabalho não é obrigatória (caso da minha) diariamente, temos que "bater cartão". Qual seria o problema de fazer algumas entrevistas (o que já faço) por telefone ou e-mail e aparecer na redação uma vez por semana, no momento em que textos são editados e páginas fechadas? Nos outros dias, caberia a nós administrar nosso próprio tempo que, veja você, ainda não nos pertence. É ou não é uma liberdade condicional?