terça-feira, 25 de março de 2014
O que te define?
Escrever por prazer. Me divertir em festa de criança. Manter minha independência moral, psicológica, espiritual, financeira. Viajar com um roteiro e, ao chegar no lugar, mudar tudo. Ter ciúmes. Ciúmes de mãe, de pai, de marido, de amigo. Dançar, sem hora para acabar, em qualquer lugar até o sol raiar. Rir de piada boba, gargalhar em desenho animado, chorar até em propaganda. Reclamar do que acho errado e isso ser muito melhor do que desistir da causa: quando a gente para de brigar é porque deixou de se importar. Manter o foco, mas só no que importa. E isso envolve não querer saber tudo: porque ser rasa não é para mim. Estudar, sempre. Muito. Sobre tudo que interessa. Ver a moda como forma de arte e o luxo, como a primazia do artesanato sobre o pasteurizado. Porque de raso e pasteurizado esse mundo já está cheio, né?
quinta-feira, 11 de julho de 2013
A metodologia da dúvida
Recentemente conversei com duas amigas queridas passando por momentos de indecisão nas suas carreiras. Insatisfeitas onde estão, elas passam por aquele processo de mudar-ou-não-mudar-eis-a-questão. E conversando com elas comecei a me lembrar dos momentos em que passei por isso. Acho que consegui resumir bem e pode ser um “guia” prático quando essas dúvidas surgirem na sua vida. Sim, porque como libriana que sou, detesto tomar decisões e nunca as tomo de impulso. Então costumo colocar no papel prós e contras e fazer quase uma “metodologia da dúvida”.
Primeiro ponto: a gente nunca sabe o dia de amanhã. Pode ser que a nova empresa pra onde você pensa em mudar quebre, que seu chefe vá embora, que o clima de trabalho seja pior. OU pode ser que tudo melhore.
Boatos são boatos e podem nunca se confirmar. Seja porque eram só boatos, seja porque muita coisa pode mudar até você começar a trabalhar lá.
Então não leve em consideração o que "pode" acontecer, mas sim o que você "quer" fazer.
Estes fatores externos não estão em suas mãos. Está em suas mãos decidir que caminho quer seguir. E, uma vez decidido, não se arrependa. Você tomou a decisão certa para aquele momento e com as decisões que tinha em mãos. Não se martirize se algo der errado.
Para saber se muda ou não de emprego, tudo é uma questão de prioridade nesta vida. Tente fazer uma lista com as SUAS prioridades.
A minha, por exemplo, é:
1. ter prazer ao trabalhar
2. ter espaço para uma vida bacana (noites e feriados)
3. ter qualidade de vida no trabalho
4. fazer um trabalho de que me orgulhe
Etc.
Por fim, se a dúvida permanecer, uma estratégia é imbatível:
Imagine-se daqui a um ano.
Agora, imagine-se daqui a 10.
O que você quer (sonha mesmo) estar fazendo em 11/07/2014? E em 11/07/2023?
Duvido que depois disso você não tome uma decisão.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Ai Weiwei
Materinha minha publicada na edição de fevereiro da GQ Brasil:
Dissidente e teatral
A primeira retrospectiva brasileira do
chinês Ai Weiwei traz centenas de fotografias e vídeos que representam sua obra
questionadora
No último dia 21 de janeiro, Ai Weiwei
tinha postado exatos 86.483 tweets. É muito mais que o apresentador brasileiro
Luciano Huck, por exemplo, que escreveu 7.217 mensagens com no máximo 140
caracteres e Barack Obama: o presidente dos Estados Unidos, no dia de sua
posse, tinha chegado aos 8.314 tweets. O curioso é que, para atingir essa
marca, Ai Weiwei não é um geek e menos ainda um adolescente com tempo para
navegar pela web. Ele é um artista à procura de uma forma de expressar sua
arte, que apostou na rede social para fugir da censura. O regime comunista
chinês o manteve encarcerado por 81 dias sob alegação de evasão de divisas e
tirou seu site do ar. A obra de Weiwei – que é arquiteto, escultor e fotógrafo,
além de blogueiro e twitteiro – não fala, grita. Grita a favor da transparência
e da democracia na China, tanto que foi eleito pela conceituada revista Art
Review uma das três maiores personalidades das artes em 2012. Sua obra mais impressionante, Kui Hua Zi, consiste em uma tonelada de sementes
de girassol esculpidas à mão em porcelana, e foi
leiloada por nada menos que US$ 782,5
mil em outubro de 2012. Diferentes mas não menos impactantes são suas fotografias
e seus vídeos, que estarão reunidos na retrospectiva Ai Weiwei - Interlacing, no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, de 07 de fevereiro a 14 de abril.
“Depois de toda essa arte autorreferente e
centrada em si mesma que temos tido desde os anos 90, é revigorante ver um
artista que lida com a sociedade, com assuntos que dizem respeito a nós todos”,
disse à GQ Urs Stahel, curador da
mostra. Ele distribuiu as obras em 11 grupos. Entre eles, Fairytale Portraits. Em 2007, Weiwei levara à cidade alemã de
Kassel 1.001 cidadãos chineses de todas as classes sociais para posarem para
essa série de retratos ao vivo, durante o evento Documenta. “Queria fazer algo
que se relacionasse com a vida real de pessoas comuns", disse. Imagens
sensíveis compõem a seção Beijing Photographs, como uma foto da artista Lu Qing
(que viraria sua esposa) levantando sua saia. A imagem foi feita em junho de
1994 para comemorar os cinco anos do ápice do movimento estudantil na Praça da
Paz Celestial. Em contraponto, a série Study of Perspective tem um espírito bem
mais sarcástico: sua mão esquerda com o dedo médio erguido diante de monumentos
que as pessoas costumam venerar, como a própria Praça da Paz Celestial e a
torre Eiffel. É tudo uma questão de perspectiva, e a de Weiwei é sempre
questionadora. Quem visitar a mostra no MIS vai poder ver isso de perto. “Ele é
político em seu pensamento, minimalista em sua arte e teatral em sua vida”,
resume o curador Urs Stahel.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Sobre mudanças e sonhos
Eu mudo, eu fico muda. Deve ser meu jeito de absorver tanta informação, de compreender tanta novidade, de mergulhar de corpo e alma pra ir a fundo e me adaptar à nova rotina. E de aprender a gostar dela (o que não tem sido nada difícil, diga-se de passagem).
Mas envolve um frio na barriga igual a quando a gente se apaixona e não sabe o que esperar da pessoa amada, não sabe como fazer as coisas de forma que ela se apaixone também. Pois é, estou vivendo isso no meu trabalho. Esses dias li a entrevista de um psicólogo na Lola, em que ele dizia que quanto mais altas as nossas expectativas em relação ao trabalho dos sonhos, mais nos frustramos. E então, eis que aparece uma proposta que eu nem sonhava, resolvo me atirar de para-quedas e descubro que é muito mais emocionante e divertido que jamais sonhei. A gente descobre que muitas vezes fecha os olhos para as coisas/pessoas que, como diria Cazuza, não cabem no nosso sonho, e não imagina o que está perdendo. Deixa de viver, se divertir, ser feliz, porque ele não era loiro/alto/magro/mais velho/pós-graduado. Ou porque o emprego não era do lado de casa, porque alguém disse que o clima era ruim, porque não é o que vc sempre sonhou...
A vida é uma só, já disse o poetinha, "e duas que é bom, ninguém diz que tem". Então não tenha medo de mudar os seus sonhos. De renová-los e de mudá-los novamente, sempre que necessário. Eu procuro entender as pessoas, com seus defeitos e qualidades, mas se tem uma coisa que não entendo é a ausência de sonhos. Quem não sonha, não vive. Quando muito, existe. Que tal aproveitar o começo do ano para fazer uma listinha com seus desejos para 2013?
Mas envolve um frio na barriga igual a quando a gente se apaixona e não sabe o que esperar da pessoa amada, não sabe como fazer as coisas de forma que ela se apaixone também. Pois é, estou vivendo isso no meu trabalho. Esses dias li a entrevista de um psicólogo na Lola, em que ele dizia que quanto mais altas as nossas expectativas em relação ao trabalho dos sonhos, mais nos frustramos. E então, eis que aparece uma proposta que eu nem sonhava, resolvo me atirar de para-quedas e descubro que é muito mais emocionante e divertido que jamais sonhei. A gente descobre que muitas vezes fecha os olhos para as coisas/pessoas que, como diria Cazuza, não cabem no nosso sonho, e não imagina o que está perdendo. Deixa de viver, se divertir, ser feliz, porque ele não era loiro/alto/magro/mais velho/pós-graduado. Ou porque o emprego não era do lado de casa, porque alguém disse que o clima era ruim, porque não é o que vc sempre sonhou...
A vida é uma só, já disse o poetinha, "e duas que é bom, ninguém diz que tem". Então não tenha medo de mudar os seus sonhos. De renová-los e de mudá-los novamente, sempre que necessário. Eu procuro entender as pessoas, com seus defeitos e qualidades, mas se tem uma coisa que não entendo é a ausência de sonhos. Quem não sonha, não vive. Quando muito, existe. Que tal aproveitar o começo do ano para fazer uma listinha com seus desejos para 2013?
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Pensa...
Pensa em um crème brûlée. Docinho na medida, de textura suave e com aquele caramelo de arrancar um sorriso do rosto. Aí você quebra o caramelo com as costas da colher, como adora fazer a Amélie Poulain. E eis que sob o creme aparece um fundo de nutella. Pois é. É o crème brûlée de nutella. Eu comi no restaurante Candela, um lugar lindo no Itaim, aqui em São Paulo. Não parece invenção de outro mundo? Como ninguém nunca tinha pensado nisso?
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Três elementos que adoro
Valentino, balé e NY. Ele assina o figurino e a noite de abertura será 20 de setembro. Se alguém quiser me presentear, eu aceito ;-)
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Três lições inocentes que aprendi com o nada inocente “50 tons de cinza”
O livro é erótico. Não é literatura clássica, não enriquece
seu vocabulário. Mas é uma boa narrativa e uma ótima diversão. E, como todo
jornalista, não conseguiria não ler o que todo mundo está comentando.
Explicado? Vamos ao que interessa:
- Toda mulher tem sua deusa interior. Os momentos mais divertidos do livro são quando a autora narra o que sente por dentro quando se apaixona, quando bate a insegurança e quando se sente realizada (afetiva e, claro, sexualmente). Entre as mais engraçadas estão “minha deusa interior está dançando a dança dos sete véus” ou “minha deusa interior dá um salto com vara sobre a barra de quatro metros e meio”. É bobinho? Inocente? Talvez, afinal trata-se de uma garota de 21 anos que é virgem (pelo menos no começo do livro). Mas pra mim foi perfeito. Tenho certeza que tenho essa tal de deusa interior aqui dentro e ela se manifesta das mais diferentes formas. Como, inclusive, a posição de ioga zen que a personagem comenta.
- “Se ele falou, falou porque quis” (ou algo parecido com isso). É o conselho que a mãe da protagonista lhe dá enquanto ela se tortura tentando entender se ele gosta dela, porque escreveu tal coisa ou quando começa a ter certeza de que ele a apresentou aos pais porque se sentiu coagido. Acho que esse item dispensa maiores explicações, né, meninas? Quem nunca se torturou por algo que nem tinha motivo ou ficou tentando entender alguma reação do namorado/rolo/amigo?
- Seu inconsciente é pior que o grilo falante do Pinocchio. É aquele capetinha cutucando sua cabeça que faz você se perguntar: estou gorda? Como ele gostaria de uma pessoa tão atrapalhada como eu? Por que fiquei com ele? Droga, eu não devia ter bebido e etc etc e vários etc
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