quinta-feira, 30 de junho de 2011

Um pouquinho da Jordânia


Um país que a princípio não faz parte do ranking dos mais desejados e visitados do mundo, menos ainda integra uma lista de “preciso conhecer antes de morrer”. Essa foi a primeira sensação que tive ao saber que a Jordânia seria meu próximo destino. Afinal, o que é que a Jordânia tem? Chegando lá, não foi difícil descobrir. Tem deserto, tem oceano, tem rio, tem praia. Tem história, uma gastronomia deliciosa e um misto quase inexplicável de uma religião que se mostra presente até nos mais pequenos detalhes e nas cabeças – e corpos – de suas habitantes com uma liberdade pouco vista em países do Oriente Médio. Um país que joga na cara da gente a imensidão do deserto de Wadi Rum, o azul ofuscante do Mar Vermelho (veja que ironia este nome), as pedras de sal do Mar Morto e a espiritualidade do rio Jordão. Um país que requebra ao som das músicas árabes, que se perde entre as fumaças dos narguiles (ou shishas, como eles preferem chamar) e que não se cansa de sentar à mesa para apreciar verdadeiros banquetes. Você é religioso? O rio Jordão vai te emocionar. O Monte Nebo, onde Moisés teria morrido e próximo de onde ele teria batido o cajado no chão de onde brotaram fontes de água límpida (e que até hoje se situam em um vale verdinho, verdinho), também. Você curte aventuras? Andar de jipe 4X4 no deserto e mergulhar sobre os corais coloridos do Mar Vermelho são ações que vão tirar teu fôlego. Prefere um momento relax? Tudo bem, as dezenas de spas em hotéis luxuosos à beira do mar morto devem te reconfortar. Não imagina uma viagem sem um belo roteiro gastronômico? Prepare-se para o pão sírio saindo quentinho do forno, ainda inflado de calor e gostosura, que se torna a companhia perfeita para as pastinhas de iogurte, alho, berinjela e grão de bico. Para você, viajar é viver experiências? Tudo bem. Que tal dormir em uma tenda em pleno deserto em uma noite que começa no pôr do sol de Wadi Rum e passa por um legítimo jantar beduíno, com direito a “chai” e música ao vivo?

PS: propositalmente não foram mencionadas aqui as maravilhas de Petra. Essa merece um post só pra ela.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A gente nunca volta igual de uma viagem


Se partiu como um bicho da goiaba, volta como a pessoa mais descolada do mundo.

Se arrumou as malas se sentindo encarregada de resolver todos os problemas sozinha, volta percebendo que eles já se resolveram enquanto a gente não pensava neles.

Se saiu de casa se arrependendo de muitas coisas, retorna compreendendo que elas foram necessárias.

Se deixou o lar com certos planos, volta com eles completamente modificados.

Se estava apreensiva com os problemas do dia-a-dia quando se despediu, retorna com a certeza de que eles eram muito pequenos.

E às vezes uma viagem traz todas essas sensações juntas. Traz ainda a imagem de que a vida é muito curta e a gente não pode deixar pra ser feliz amanhã. Pode ser que o amanhã não exista. Também não é legal prender-se às pequenezas do cotidiano, birras, competições, orgulho, vaidade... tudo isso é tão pequeno se comparado à grandeza de um oceano, de um deserto.

Eu acabo de voltar de uma viagem de dez dias. E ela me trouxe todas essas sensações e mais algumas que ainda não consigo compreender o alcance. Me trouxe conhecimento (para alguém não muito forte em história e péssimo em geografia como eu foi “aquela” lição ter ido à Jordânia, país que não estava nos meus planos imediatos). Me trouxe muitas primeiras vezes, como andar de camelo, ver o pôr-do-sol no deserto, mergulhar de snorkel, assistir a um tradicional casamento árabe (sim, foi incrível). Me trouxe novas perspectivas de perceber a vida e, mais do que nunca, a sensação de que não se pode deixar pra amanhã o sonho de hoje.


O engraçado é que por ser uma pessoa tão ligada em família e amor, nunca imaginei que uma viagem sozinha (na qual fiz muitos amigos, alguns para sempre, tenho certeza) pudesse mexer tanto com minha cabeça e meu coração. Pra quem está esperando dicas de lugares e histórias mirabolantes só tenho uma coisa a dizer: fique de olho no blog e na próxima edição da Istoé Platinum, nas bancas em agosto ;-)


PS: o pontinho preto nessa foto sou eu. Chato, né? hehehe

sábado, 11 de junho de 2011

O luxo de um bom serviço



Na semana passada, conversando com um querido casal de amigos, comentamos sobre a importância de sermos bem atendidos, sobretudo em um restaurante. A gente já passa por um cotidiano tão enlouquecedor e estressante que, quando decide deixar o conforto do lar para se aventurar na rua, precisa deixar de lado todas as preocupações e incômodos. É aí que entra a importância de um serviço impecável. Penso assim: se a comida em um determinado restaurante apresentar falhas posso até relevar, pensar que fiz o pedido errado ou que o chef não estava em um bom dia. E até volto para dar uma segunda chance. Mas se sou mal atendida, se sinto um certo olhar de desprezo quando recuso o couvert ou porque escolho o vinho mais barato da carta, pode Deus descer à Terra e me pedir, mas não volto mais lá.

Esses amigos comentaram que em uma viagem escolheram um vinho da carta que estava em falta. Para compensar, o maître sugeriu outro DE PREÇO SEMELHANTE e ainda mandou uma entrada sem cobrar, como uma forma gentil de pedir desculpas. Não sou ingênua a ponto de pensar que no Brasil, que ainda engatinha na formação de seus profissionais e é um bebê em termos de apresentar serviços de luxo (os lugares que realmente se enquadram podem ser contados nos dedos), se aja exatamente da mesma maneira, mas respeito e consideração se tornaram – com o perdão do trocadilho –, por si sós, o verdadeiro luxo. E não entendam luxo como sinônimo de algo caro, não. Luxo, como dizia a sábia Coco Chanel, é o oposto de vulgaridade. E nada mais vulgar que falta de respeito, nos dias de hoje, né não?

Costumo ser super bem atendida no “espetinho” que fica na esquina de casa e serve, além desta iguaria de boteco, uma boa cerveja de garrafa. Donde se conclui que a questão não é realmente o preço. Ao mesmo tempo, como jornalista, já tive a oportunidade de ir a muitos restaurantes bacanas (em todos os sentidos) aqui em São Paulo e ser muito bem atendida. Mas aí não conta, pois quando a equipe sabe que está sendo, de certa forma, “avaliada” capricha mais. Minha sugestão: os próprios garçons, gerente e maîtres deveriam frequentar o restaurante em que trabalham ao menos uma vez por mês e ser tratados como clientes normais. Assim eles podem compreender a diferença entre uma água San Pellegrino (maravilhosa, mas que custa cerca de 10 reais nos restaurantes de SP e costuma ser “empurrada” aos clientes justamente por isso) e um São Lourenço. Percebem como é chato enquanto a equipe bate papo no salão enquanto você acena gestos patéticos para tentar lhes chamar a atenção.

Pois bem, tudo isso para contar que ontem fui jantar com marido na Mercearia do Francês, onde, confesso, já tínhamos tido uma experiência ruim. Havíamos pedido um café para encerrar a conversa calmamente, mas a conta veio junto. Entendemos a mensagem como um “convite para nos retirar” e demoramos muito tempo para voltar. Ontem, a situação foi diferente. No meu prato, para ser mais específica em meio à batata gratinada, veio uma lasquinha de vidro. Mostramos ao garçom, que imediatamente convocou o maître. Ele retirou o prato, fez um novo pedido (que recusei, pois estava a ponto de ficar satisfeita) e não cobrou meu mignon com batatas na conta. Foi extremamente gentil e saí de lá satisfeita. Vou voltar. Agora, dica para donos de restaurantes/chefs/maîtres – sobretudo em tempos de comunicação rápida por facebook, twitter e blogs – o que custa mais caro? Uma gentileza como esta (que custou ao restaurante, quando muito, 40 reais) ou perder um cliente e ainda ganhar “de brinde” uma propaganda boca-a-boca (ou twit a twit, post a post) negativa?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O que está acontecendo com as mulheres?


Essa pergunta normalmente é feita por um homem, mas eu, como legítima representante do sexo feminino, me dou ao direito de replicá-la.

19 horas de uma quarta-feira. Já malhei por duas horas e estou trabalhando há sete. Abro a homepage do uol para respirar um pouco em meio à correria e ao estresse de uma matéria emperrada.

Primeiras manchetes que leio: “Carol Castro diz que não acha bonito mulher magra demais” e “Leandra Leal diz que não gostaria de voltar a ser jovem”. Detalhe número 1: Carol Castro tem 1,66 metro de altura e 53 quilos. Gente, ela é magra!!! Muito magra!!! E está insinuando que prefere seu corpo ao de uma mulher magra. Ela me fez pensar: qual a nossa atual concepção de magreza? Acho assustador.

Detalhe número 2: Leandra Leal tem 28 anos. Se ela não quer voltar a ser jovem, deduzo que se considera velha. E ela não tem nem 30 anos. Com licença que eu, do alto dos meus 31, vou me jogar da janela e já volto.

Em um curto período de tempo, navego por outras chamadas no mesmo site: “Ex-BBB Jaque Khury mostra treino de pernas e glúteos para pousar nua”. Claro, super útil afinal, vou parar meu trabalho e minha vida para malhar pernas e glúteos, afinal, vou pousar para uma revista semana que vem. Voltando à vida real, eu aqui no trabalho, o tempo correndo e me pergunto: quem será que vai ganhar mais no fim do mês: eu e minhas 8 horas de trabalho diário ou a Jaque Khury e sua malhação?

Prossigo: “mulher nos EUA exibe seus 3.200 piercings”. A próxima se refere a um homem, mas é de doer. “‘Se você não quer namoro sério, não dê presente’, aconselha Tony Góes”. Agora é sério: a gente ainda acha um absurdo as muçulmanas usarem véus e ficarem presas em casa sem poder dirigir a palavra aos homens em pleno século XXI, mas eu honestamente me pergunto se nós, mulheres brasileiras escravas da beleza, do peso e de uma idade irreal e mais do que passageira não somos mais sacrificadas do que elas. Sofremos nos espremendo em roupas que não servem, sacrificando nosso apetite, nossas horas de lazer e nossos rostinhos com aplicações de botox e cia. Isso lá é liberdade? Atingir um padrão hollywoodiano de magras-belas-jovens-e-saradas é libertador? Não, no meu ponto de vista. É uma outra forma de privação da vida real. Aquela, bem vivida, bem curtida e com os direitos exercidos em todos os contextos. Inclusive o direito a envelhecer com dignidade e dormir até mais tarde quando rolar uma preguiça de ir pra academia. O direito de não sofrer ao nos olharmos no espelho. Aos 10, 20, 30, 40 ou 80 anos. Será que algum dia a gente vai conseguir se libertar do padrão Carol Castro-Jaque Khury-Leandra Leal?

PS: Ana Paula Padrão, linda, magra e excelente profissional cometeu um erro ontem de noite ao apresentar o Jornal da Record. Ela pouquíssimas vezes foi notícia por seus acertos. Mas hoje, adivinha? Foi um dos assuntos mais comentados do twitter.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Começa o alto verão na Europa...

... e com ele os desfiles Resort que nos fazem sonhar. Olha esses dois looks da Marc Jacobs!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A trapalhada nossa de cada dia


Acordo às sete da manhã. Está frio. Está muito frio. Resisto aos apelos da cama e me levanto. Preciso malhar, estou levando a academia a sério e hoje tem aula de pilates. Daqui a 45 minutos. Ok. Me visto, dou bom dia ao cachorro, coloco sua comidinha, tomo meu café. Frio. Preguiça. Ufff! Liberto o cachorro para dar uma voltinha pela sala enquanto lavo a louça e vou recolhê-lo a seus aposentos (cozinha e lavanderia). Quando piso no tapete... Eis que o fofo e peludinho Bolota havia feito o que não devia no tapete e eu, obviamente, com uma mira certeira, pisei exatamente em cima (novamente) do que não devia. Ai ai ai. Ótimo, ótimo. Estou com tênis de corrida, cheio de ranhuras na sola. E, obviamente, com o adiantado da hora, já estou atrasada. Vou até o tanque, tênis, esponja e palito de dente nas mãos. Fico, literalmente, limpando a c*#$@& do cãozinho, devidamente p. com ele. E atrasada, meu Deus, como estou atrasada! Saio correndo. A pé. Chego na academia. Duas horas - de Pilates, box e corrida - depois, volto para casa. Chego na cozinha, vou fazer uma torrada de pão integral para comer com peito de peru e eis que piso no chão da cozinha. Onde, obviamente, Bolota havia feito xixi. Pego um pano, blasfemando o dia em que resolvi trazer mais uma complicação pra minha vida (o que passa rápido, pois adoro o bichinho e ele me olha como se estivesse entendendo tudo o que eu falo). Como a torrada, voo para o banho. Lava cabelo, seca com secador, maquiagem, escolha da roupa e partida, correndo para o trabalho. Ainda são 11h00 quando entro no ônibus e me dou conta que esqueci o bilhete único (conhecido como passe e vt por quem não mora em SP) em algum lugar. Ofereço os 20 reais para a cobradora que me devolve o troco todo em notas de R$2, como que para me lembrar que as trapalhadas têm suas consequências. Putz, preciso ligar para a lavanderia e implorar para lavarem meu edredom até sexta-feira. Chego ao trabalho antes das 11h30. E pensar que o dia está apenas começando...